Grafologia como ferramenta de seleção
Afinal, a Grafologia pode (ou deve) ser utilizada como ferramenta de seleção no preenchimento de cargos de alto nível?
A Rede de Hotéis Othon, com 3,2 mil funcionários espalhados em 18 cidades, decidiu apelar para a grafologia “Precisávamos contratar novos empregados para preencher cargos estratégicos. Cada função exigia uma personalidade diferente e, para encontrar a pessoa certa, consultamos um grafólogo”, conta a gerente de recursos humanos da Rede Othon, Cristina Secchin. Ela admite que a grafologia foi decisiva em muitos casos.
Para a Price Waterhouse, uma das mais importantes empresas de auditoria e consultoria do mundo, aspectos da personalidade como sociabilidade, capacidade de concentração e objetividade são itens fundamentais para a avaliação de futuros empregados. “O principal item é a sociabilidade. Afinal, trabalhamos sempre em equipe”, diz a psicóloga Edna Godoy, do departamento de recursos humanos da empresa. Ela admite que a grafologia pode levar a equívocos, caso seja utilizada de modo inadequado. “Para não cometer a injustiça de recusar um candidato por dados puramente subjetivos, associamos a grafologia a outros testes.
Essa cautela é necessária. Entre os psicanalistas, a grafologia é vista com restrições. “A fala é muito mais importante porque revela atos falhos. A grafia mostra apenas o temperamento, não a personalidade”, analisa a psicanalista carioca Regina Taccola. “A grafologia funciona apenas como ponto de partida. Definir a personalidade humana pela grafia é pretensioso demais”, reforça Marlene Dias da Silva, da Sociedade Brasileira de Psicanálise. (fonte; Portal RH)
Índice de acerto acima de 90%
“A Grafologia é, antes de tudo, um estudo científico” – diz José Bosco, diretor da Analítica Laudos Grafológicos e especialista no assunto. Na Grafologia analisamos o desenho da escrita e, nos detalhes, podemos conhecer o consciente e o inconsciente, bem como saúde, caráter e características psicológicas do analisado. Ao avaliar a escrita, não olhamos o que está escrito, mas sim como está escrito e é através de pequenos micro ganchos que verificamos a engenharia e a arquitetura gráfica do texto, independente da língua ou do grau de cultura do analisado ou se ele escreve muito (ou pouco) à mão. É um estudo muito eficaz como ferramenta de seleção e só não o é totalmente devido dois fatores: 1) por ter muitos detalhes torna-se um estudo muito demorado; 2) ainda existem poucas pessoas realmente preparadas. Por não existirem dois tipos de letras iguais, não existe software aprofundado no assunto. Quando bem feito o índice de acerto de um estudo grafológico é sempre acima dos 90% de acerto”.
Utilização como complemento e em casos especiais
“Utilizamos a Grafologia como ferramenta complementar ao processo de seleção” – informa Priscila Kelly Ramos Rodrigues Pontes, gerente de Desenvolvimento Humano da Saganor Nordeste Comércio de Automóveis e Serviços. “É através dela que conhecemos traços das pessoas. Todo e qualquer traço revela algo sobre o candidato, de forma muito clara, até chegar-se ao laudo completo. Evidentemente, em razão da complexidade do estudo grafológico, ele é utilizado como complemento do Predictive Index (PI), que traça o perfil das pessoas, de suas competências, potencialidades e talentos e para os cargos mais complexos que exigem maior grau de confiança”.
Estudos com base semelhante à Grafologia
“Já usei, acho a ferramenta muito interessante e não a uso mais por ser extremamente trabalhosa – avalia Ana Lucia de Oliveira Freitas Pita, gerente de RH da Rede Novo Mundo/GO. “São muitos pequenos detalhes e o trabalho é ir juntando sinais para ir formando pistas, indicadores e chegar ao diagnóstico final. Os sinais vão desde a inclinação das sentenças, detalhes das letras, pressão da escrita, tamanho das letras etc. São sinais evidentes de personalidade, que podem ser detectados, razão ela qual utilizamos o estudo nos casos que exigem mais detalhes: gerentes, diretores etc. Atualmente existem outros exames que analisam traços da personalidade, como é o caso do PMK (Psicodiagnóstico Miocinético), cuja base é semelhante à Grafologia”.
Sempre aliado a outras ferramentas
“O exame grafológico não deve ser utilizado como fonte exclusiva no processo de seleção” – comenta Maria Bernadete Pupo consultora e gerente de RH do Centro Universitário FIEO e professora universitária da FAC-FITO/SP. “Apesar de ser muito antiga, a grafologia tem fundamento cientifico, sendo muito utilizada na psiquiatria. Mesmo assim, e por ser um estudo trabalhoso, deve-se utilizar o exame grafológico em casos especiais e sempre aliado a outras ferramentas”.
“A ciência nos traz conhecimento; a vida, sabedoria.”
Will Durant
LIVRO: Grafologia – A Ciência da Escrita
Autor: José Bosco
Editora: Madras
Porque ler: O autor explica passo a passo como a letra de uma pessoa determina o seu temperamento, caráter, traços de personalidade, funções racional e irracional, características psicológicas específicas, entre outras.
Jornalista responsável: Laércio Caporalini – MTPS 13963
Fonte: Jornal O Estado