Palavras mal faladas
Como diz um provérbio árabe: “a palavra fere mais do que a espada afiada”. Infelizmente, existem pessoas que não percebem o valor da palavra e as colocam ao vento, falando sem pensar. Algumas pessoas os chamam de “língua solta” ou fofoqueiros. Saber o valor da palavra e, por conseqüência, evitar falar por falar deveria fazer parte do dia-a-dia das empresas. “A palavra dada, por si só deveria ser suficiente para firmar um compromisso ou estabelecer um trato, mas estamos cercados de tantas leviandades e tanta irresponsabilidade que até pequenos e simples acertos são firmados através de contratos devidamente registrados em cartórios, com inúmeros detalhes e minúcias” – comenta Reinaldo Passadori, professor de Comunicação Verbal e fundador e presidente do Instituto Reinaldo Passadori/SP.
Cuidar do que se fala
“Se a pessoa não se preocupa com as conseqüências do que fala – continua Passadori – como fala ou com quem fala, proponho atenção e muito cuidado, pois algumas perdas poderão ser irreparáveis. Se, por outro lado, a pessoa tem a consciência e responsabilidade sobre o que diz, como os homens de antigamente que firmavam acordos e grandes tratos, selando-os com “um fio de bigode”, parabéns! Ela é uma dessas pessoas que o mundo está precisando, mesmo que em meio de tantos conchavos, falcatruas e incongruências, para fazer valer a honra do compromisso assumido, do caráter e da dignidade”.
O “língua solta” nas organizações
“O ‘língua solta’ não deve ser confundido com fofoqueiro” – explica Maria Bernadete Pupo consultora e gerente de RH do Centro Universitário FIEO e professora universitária da FAC-FITO/SP. “Ninguém está livre de cometer um ou outro deslize de vez em quando no mundo corporativo, porém nesse competitivo mundo dos negócios, é necessário ter ética, respeito e relacionamento adequado com as pessoas. Profissionais com esse padrão de comportamento não têm limites em relação à divisão de assuntos ligados ao negócio da organização e a outros determinados espaços do escritório, que, definitivamente, não devem sair dali. Da mesma forma, não conseguem separar assuntos relacionados com sua vida particular e com os profissionais. Indivíduos com esse padrão de comportamento podem ser bem sucedidos em seus negócios, porém têm que aprender a modular seu comportamento, neutralizando a compulsão de falar tudo o que vem à mente. Talvez o segredo esteja em aprender a ouvir mais, e falar menos”.
Há fofoqueiros trabalhando com você?
“O fofoqueiro pode paralisar o desempenho e ameaçar potencialmente a sobrevivência das relações de uma equipe” – mostra Dalmir Sant Anna, palestrante especialista na área de Gestão de Pessoas. “O papel do fofoqueiro, está explicitamente demonstrado através da ausência dos valores éticos e da desvalorização do capital humano, sendo o oposto de um profissional comprometido com a manutenção do trabalho em equipe. Em período de competitividade intensa e do foco constante em inovação, o tempo desperdiçado e inutilizado com uma fofoca, poderia ser perfeitamente utilizado para gerar energia positiva para novos negócios e projetos. Não há como valorizar o espírito de cooperação, quando uma pessoa descobre que é vítima de fofoca. Quando um líder consegue identificar e isolar uma fofoca, tomando o máximo de cuidado com a sua origem, possibilita aferir melhores resultados e entregar à sua equipe a oportunidade de reter talentos humanos, valorizar a cooperação e estimular a proeminência do companheirismo”.
Educar o grupo para utilizar o diálogo
“Fofocas já derrubaram chefes de estado, ministros, já aniquilaram vidas inteiras, já abalaram mercados, fecharam empresas, tiraram veículos de linha e acabaram muitas famílias” – analisa Roberto Matoso, consultor, economista e presidente da Roberto Matoso Consultores Associados. “A fofoca é a comunicação preferida dos cúmplices para o fortalecimento dos projetos individuais ou de subgrupos em detrimento dos projetos coletivos. Expressões como ‘não diga que fui eu que disse’ não podem ser aceitas pelo líder. As informações devem ser um instrumento para a resolução de problemas e para o desenvolvimento, por isso devem ser tratadas da maneira mais franca possível. O melhor caminho é chamar as partes envolvidas e verificar as informações com todos. A partir daí, é possível conhecer a realidade de maneira mais abrangente e ao mesmo tempo, educar o grupo para utilizar o diálogo e não a fofoca com meio mais adequado para resolução de conflitos”.
“Tudo que é falso, é ruim, até mesmo a roupa emprestada. Se seu espírito não combina com a sua roupa, você está sujeito à infelicidade, porque é desta maneira que as pessoas se tornam hipócritas, perdendo o medo de agir mal e de dizer mentiras.”
Ramakrishna
LIVRO: Menos Pode ser Mais
Autor: Dalmir Sant Anna
Editora: CLC
Porque ler: Além de inúmeras diferenças entre pertencer ao time do menos e do mais, o leitor tem a oportunidade de refletir através de metáforas e histórias que são contadas reforçando a necessidade de uma educação diferenciada.
Jornalista responsável: Laércio Caporalini – MTPS 13963
Fonte: Jornal O Estado.