Mercado de trabalho aberto para a terceira idade
Engana-se quem pensa que apenas os jovens estão tendo vez no mercado de trabalho. A experiência, a postura diferenciada e o maior equilíbrio emocional são diferenciais que têm garantido cada vez mais oportunidades aos profissionais da terceira idade. Além do equilíbrio e amadurecimento, uma grande vantagem dos idosos em relação aos jovens é o envolvimento e disponibilidade de tempo. Os jovens geralmente estão em fase de estudo, passando por mudanças e com muitos projetos ao mesmo tempo.
A expectativa de vida no país aumentou de 51 anos, em 1990, para mais de 75 atualmente. Nesse ritmo de avanço, em 2050, ao nascer, os brasileiros terão uma esperança de vida de 81 anos – mesma taxa hoje verificada entre os japoneses, o povo com a maior longevidade do mundo. Com tantas modificações o mercado de trabalho teve que se moldar a estas novas expectativas.
Adoção de comportamentos flexíveis
“O preconceito das empresas em relação aos profissionais mais velhos começa a mudar, ainda que timidamente” – explica Maria Bernadete Pupo, consultora e gerente de RH do Centro Universitário FIEO e professora universitária da FAC-FITO/SP. “Especialistas em recrutamento confirmam que para se ajustar ao (iniciante) período de crescimento brasileiro, as companhias voltaram a procurar trabalhadores mais experientes, aptos a assumirem postos que, em outras ocasiões, exigiriam treinamento prévio para pessoas mais jovens. Nesse cenário, o trabalhador com mais de 40, 50 ou 60 anos continuará a ter seu espaço desde que adote comportamentos e ações flexíveis, preterindo os símbolos tradicionais, apresentando propósitos claros, estilos e métodos pessoais ajustados às práticas exigidas pelo mercado. Convém que acompanhe a tecnologia e os avanços da informática e que esteja sempre aberto às mudanças, sem deixar de lado seu aguçado senso de responsabilidade”.
Competências comportamentais valorizadas
“Levantamento recente do IBGE – continua Pupo – aponta também que o grupo de pessoas com 50 anos ou mais foi o que mais aumentou em participação no mundo profissional; de 15,4% para 18,1% entre 2002 e 2006. Se até pouco tempo o mercado valorizava a competência técnica, hoje as competências comportamentais têm sido foco de muita atenção para qualquer profissional seja ele jovem ou mais experiente. A avaliação por competência, já bastante utilizada na atualidade, baseia-se em fatos concretos e mensuráveis com foco no comportamento e numa metodologia consistente, testada e comprovada pelo mercado empresarial”.
O que pesa é a competência
“Em parte por trabalharmos num segmento específico não existe, na empresa, qualquer tipo de restrição relacionada com a idade” – mostra Priscila Kelly Ramos Rodrigues Pontes, gerente de Desenvolvimento Humano da Saganor Nordeste Comércio de Automóveis e Serviços. “Buscamos, sim, experiência e, inclusive, entendemos que profissionais na casa dos 20 ainda não estão maduros para determinadas funções. Quando selecionamos profissionais nos atemos à idade apenas para preservar a integridade física dos candidatos, mas observamos a aptidão do profissional para a função. Nossas equipes, formadas por pessoas mais maduras (acima de 35 anos), têm turnover mais baixo porque são profissionais mais estabilizadas, que procuram por qualidade no trabalho. O jovem, em geral, é mais inconstante e sua insatisfação (própria da idade) pode ser uma característica negativa. Em resumo, para a empresa o que pesa é a competência e os mais maduros estão aprendendo a mudar e a entender as mudanças que ocorrem nas empresas. Infelizmente nosso banco de dados tem pouquíssimas pessoas com mais de 50 anos, talvez por estarem já colocados no mercado”.
Mesclar experiência com sangue novo
“Nossa empresa tem o seu grupo de pessoas notáveis: aposentados com mais de 50 anos que continuam trabalhando em vários setores e que são enaltecidos pela companhia” – ressalta Mônica Rabello de Freitas, gerente de Recursos Humanos da Sucos Jandaia/CE. “Nossa maior exigência é pela competência aliada à capacidade do profissional inovar e se reinventar. Quando fazemos nossa seleção de candidatos verificamos a grau de aptidão à realidade do cargo, sem qualquer restrição à idade. Devo dizer que para os cargos de liderança o mais experiente tem até mais chances de ser contratado desde que tenha essa característica de aprendizado contínuo e capacidade de crescimento. O ideal é que a empresa mescle experiência com o sangue novo do profissional mais jovem”.
“A idade não depende dos anos, mas sim do temperamento e da saúde; umas pessoas já nascem velhas, outras jamais envelhecem.”
Tyron Edwards
LIVRO: Empregabilidade Acima dos 40 Anos
Autor: MARIA BERNADETE PUPO
Editora: Expressão Popular
Porque ler: A escritora aponta os principais fatores de empregabilidade para ter ou manter-se no competitivo mercado de trabalho. E é nessa complexa e promissora área da economia, dos Recursos Humanos, que a autora pretende mostrar um pouco dessas possibilidades que estão à disposição dos que não querem fracassar ou se acomodar.
Jornalista responsável: Laércio Caporalini – MTPS 13963
Fonte: Jornal O Estado